quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Não vou e não vamos te deixar sozinha.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Sorria São Pedro!
Qual o problema em ser clichê no fim do ano? O clichê no seu significado mais natural vale mesmo é ai, em dezembro. Mês em que São Pedro chora as mágoas inundando campos e alagando ruas. Podíamos telefonar para São Pedro e pedir chuva quando as plantações estivessem precisando e os rios secando e os bichos com sede. Este texto, por exemplo. Começou bem clichê. Porque falar de chuva em dezembro é muito isso tudo. Atrapalha as festas e a entrada do novo ano fica suja. Neste caso de lama, de lodo, de chuva..... Por isso chega de tanto o céu desabar. E as crenças e mandingas do que valem? Desenhar um sol na rua, no asfalto só tem sabor quando se é criança. Enquanto adulto, vale e olhe lá, oferecer a Santa Clara sabão em barra. Deve-se jogar no telhado de casa. Não no do vizinho. Nele, no vizinho, é bom ir mais tarde para filar a bóia, a ceia, o vinho ou chandon. Muitas pessoas prefrem sangue de boi à chandon. Qual o problema? Eu prefiro a tradicional cerveja. Gelada. Parecendo canela de pedreiro. Aprendi essa esses dias. Pois bem...... Valha-me de chuva. Estou úmido, pálido, com sono e com fome. Sintomas de uma boa chuva. De um tempo nublado. Sintomas de dezembro. Do mês 12 que se somarmos os números 1 + 2 resulta, claro, em 3 que significa, segundo a numerologia de Aparecida Liberato: otimismo, talento, bom gosto, comunicação, cordialidade, sociabilidade, expressividade, amor a vida, bom gosto, interesse em todas as coisas. E que tem como características negativas: futilidade, prepotência, exibicionismo, superficialidade, extravagância, vaidade, fraude, o ser anti-social. Por isso, meus caros, sempre existe o outro lado. E o outro lado da chuva, é o sol. Este que agora, aqui no sudeste, traria boa entrada para muita gente. E o clichê de bons fluídos e de um Feliz 2010 cairia muito bem. Não vamos nos entregar a tempestade. Torcer para que São Pedro esteja feliz e não chore nem de alegria. Ele devolveria a paz nos lares dos desabrigados, dos tristes, dos desesperançosos..... Sorria São Pedro. Sim, você está sendo filmado. Sorria, São Pedro. Sorria, São Pedro.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
TEMPO
É de todas as atitudes
A mais egoísta
A expressão que diz
mEU tempo
É equivalente àquela que diz
sEU tempo
E ambas não socializam
Como se fosse possível
Fazer do tempo potes
Não entendendo
Que a condição primeira
Do próprio tempo
É fazer parte
E qualquer coisa partida
É no mínimo duas
(Wester de Castro)
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Partir
Acho que já posso partir.
Já posso partir.
Já posso.
Eu posso.
Vivi quase trinta anos.
Vivenciei brigas, amores, paixões...
....Dos outros e minhas paixões, amores e brigas.
Já chamei tudo de trem e ainda chamo.
O trem que deveras é, o chamo de metrô.
A minhoca de metal dita por Falcão.
Eu que já pisei num palco como artista.
Que fiz um mundo torto de autista.
Que vi por muitas vezes Maria Rita
E por muito mais ousei cantá-la.
Degustá-la em minha vitrola.
Que assisti Bethânia. Que dormi Bethânia.
Que comi Bethânia. Que fui lá ver...
Bethânia-me! Bethânia-me!
Que fui mais que fã por ai.
E até por aqui.
Que recebi axé.
Um abraço apertado....
Mesmo não sendo de namorado.
Que me retribui carinho de amigo.
Eu já me posso partir.
Por ter a Cozza por perto
Por amar a Cozza.
Por ela ser mais do que é.
Ela é. Sim, ela é.
Reservo este tempo para contar
Pra você ter o que lembrar.
A música me dá alegrias
Mas preciso partir.
Acho que já posso partir.
Já posso partir.
Já posso.
Eu posso.
CLAUDIA
karina, quando criança, tinha jeito de criança. Sem nenhuma prioridade anormal. Gostava de coisas típicas de criança. Sistematicamente. Quando começou a ter corpo, ou melhor, quando seu corpo começou a ter mais forma feminina que infantil nada de estranho lhe era visto. Gostava de vaidades e tudo que lhe atribui. Cabelos, cheiro e espelho. Karina foi durante muito tempo como o tempo queria. Ela, simpática, tinha muitas pessoas que lhe queria bem. Sempre havia a sua volta um mimo. Conhecia muito bem alguns amigos e dividia com eles certos lugares. Bares, cinemas e escola. Mas foi na rua, coisa de tropeço, que Karina conheceu Claudia. E esta história é sobre Claudia. Ate onde se pode contar.
Claudia é digna de mil detalhes, mas vou me ater a um. Tinha dezesseis anos. Com dezesseis anos já se fez muita coisa. Nadou no mar, menstruou-se, brigou por coisas inúteis, etc, etc e etc. Coisas de dezesseis anos. Foi na esquina da Álvares Cabral com Augusto de Lima, dois grandes homens, que as duas, como disse anteriormente, tropeçaram. O sinal fechado para pedestres uma de lá, outra de cá. Um olhar que se cruza. Uma paixão que não se explica. O sinal abriu e ninguém atravessou. Houve medo do desencontro. Se olharam a distância de uma rua durante mais um tempo. O tempo de um sinal. Claudia atravessou e, já do outro lado, apenas sorriu. As duas passaram aquela tarde falando sobre tudo. Olhos concentrados em qualquer resposta. Mal sabiam que passaria dezesseis anos juntas. Amando de dar inveja. Felizes de dar inveja.
Logo decidiram namorar e que isso implicava responsabilidade. Apresentaram-se a quem deviam e seguiram. Beijavam com muita beleza e se falavam por códigos que só os amantes estruturam. Pensaram no futuro e em seus filhos que com certeza teriam. Não dividiam os perfumes. Cozinhavam uma para outra quando estavam acampadas na serra. Gostavam de música, cantavam juntas.
Claudia era simples, gostava de sandálias e amarrava o cabelo com passadeiras verdes e douradas. Tinha enxaqueca e pavor de lagartos. Chamava Karina de Nariza. O porque não sei. Mas achava lindo. Nariza é um apelido lindo. Coisas que só amantes entendem.
Claudia se desesperou quando Karina sofreu um acidente na porta da faculdade. Foi preciso socorro, internação e reserva de sangue. Descobriram que era hora de se casarem. E se casaram. Os melhores amigos levaram coisas. Cartões, panos-de-pratos, panelas e flores. Fizeram compras, compraram anéis e vasos. Pensaram em crianças e foram ao médico. E lá Claudia descobrira que jamais poderia ser mãe. Passaria por uma cirurgia de urgência. Sofreram e sofreram para sempre. Claudia estava feia, karina se enfeara junto. Claudia sobreviveu a todas noticias e procedimentos. Ficou de repouso. Tomou drogas fortíssimas e não se formou. Deprimida com tudo, pediu para Karina a deixar. Tinha ela trinta e dois anos quando viu sair Karina sem lhe dizer nada. Tão pouco levar nada. Isso doeu. Não brigaram. Isso doeu. Não choraram. Isso, também doeu. Claudia estava só. Sozinha cozinhou menos naquele sábado. Comeu menos. Deitou mais cedo e não dormiu. Passou o sábado, o domingo e a segunda sem dormir. Com fortes dores de cabeça, pediu que sua mãe lhe visitasse e na terça-feira lá estava sua mãe fazendo coisas de mãe. Chá, carinho e broncas. Passaram as dores e muito tempo. Claudia tinha agora uma idade que preferia não revelar.
Dentro de suas preferidas frivolidades está o jogo de cartas e as cartas que escreve para ela própria. Às vezes no silêncio de sua casa ri quando ela mesma lhe põe apelidos. Já se chamou de Doris, de Chata e de Pesle. Não me pergunte porque. Pesle porque, talvez, tenha a ver com seu ritmo lento de fazer as coisas, como se tivesse pés de lesma. Claudia detesta fazer compras. Isso lhe faz lembrar tantas coisas. Que há pouco dinheiro, que precisa emagrecer e o iogurte que Karina adorava, mamão com aveia, saiu de linha. Saiu de linha, também, o creme de cabelo que Karina usava. Dizer que Claudia não esquece Karina um instante sequer é mentira. Mas gosta de pensar nela de supetão.
Karina é, hoje, uma senhora sem nenhuma grande anormalidade. Não tem filhos e usa óculos. Vive praticamente para cozinhar e ler. Evita supermercados. Escreve para Claudia, mas não envia. Fez algumas coisas que não podem ser ditas. Mora muito próxima da casa onde morava quando criança. Passa muitas vezes pela avenida Augusto de Lima e sempre espera o sinal abrir duas vezes para atravessar. Sorte e tempo ou tempo e sorte. Mal sabem as duas que ambas morrerão daqui dezesseis anos sem nenhuma possibilidade de reencontro ou tropeço.
domingo, 22 de novembro de 2009
sábado, 21 de novembro de 2009
Amor, Festa e Devoção
Foto: Márcio Costa
Santa Bárbara - Roque Ferreira
É o amor - Zezé di Camargo
Do jeito que você me olha - Bruno e Marrone
Feita Na Bahia - Roque Ferreira
Coroa do Mar - Roque Ferreira
Tua - Adriana Calcanhoto
Ê senhora - Vanessa da Mata
sábado, 17 de outubro de 2009
Morro do Macaco, RJ, 17/10
A madrugada começou com "fogos de artifício" anunciava meu pensamento preguiçoso ainda de um sono recente. Sábado cinza, às 3h20. Aos poucos, o que poderia ser uma festa - diga-se de passagem de gente muito animada - foi se cristalizando em rajadas amarelas, alaranjadas que cortavam o céu da Zona Norte do RJ, em Vila Isabel, pertinho do Morro do Macaco.A Vila, que já foi de Noel e de Luis Carlos, dava sinais de sobrevida e cheirava a sangue. Senti uma dor no estômago forte, uma agonia mesmo estando "protegida" a alguns metros do bombardeio. Era como se eu estivesse ali, junto a mães, crianças, velhos, homens e mulheres, trabalhadores em meio as rajadas e explosões de tiros, muitos tiros. Uma dor pela minha infinita pequenez humana e impotência diante do que rugia em meus ouvidos. Uma dor pela nossa miséria humana, pelos aplausos às Olimpíadas de 2016, ao choro emocionado do presidente Lula, ao sorriso forçado do governador da cidade maravilhosa Sergio Cabral Filho, à festa na praia de Copacabana, princesinha do mar 50 anos atrás.Uma dor pelo tráfico ser uma economia rentável e mortal para a maioria dos jovens que nascem e vivem nos morros e nas periferias das nossas cidades. Um desespero pela nossa desestrutura, pelas filas de doentes sem convênio médico nos hospitais públicos, a luta pela caixa do remédio que dá uma sobrevida aos velhos, o esgoto onde as crianças brincam como se estivessem num rio, o lixão que é o pão e a mesa de muita gente, tristeza pela máscara que pusemos na cara e o perfume que disfarça nosso fedor.Morremos todos. Não é possível... meu tormento na madrugada era este: "não é possível". É sim Fabiana. E está aí, pra quem quiser ver, pra você ver. E não são baratas que podem ser esmagadas numa batida de chinelo. Já foram todos bebês. Quem somos? O que queremos? Que mundo a gente quer efetivamente e qual o tamanho da força que precisamos para conquistá-lo?!Milhares de outros ataques virão. E não tem nada de pessimismo nisso. É manchete no jornal, sensacional. Esse discursinho babaca de quem vive bem e acha que o problema está muito, muito longe. Mentira!Aqui em SP a gente gosta desta fala, falsa. Está tudo aqui, no nosso Haiti.Somos todos iguais nesta noite.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
"Ouçam, leiam, procurem por ela. "
Foto: Marcos HermesTexto escrito pela cantora Maria Rita
Fonte: http://www.maria-rita.com/
Desde ontem sou tomada por uma mistura curiosa de emoções. Primeiro veio a triste notícia do grave estado de saúde de Mercedes Sosa. Em seguida veio o acalanto de uma alma que compreende que a morte não é o final. No caso de Mercedes, é só mais um momento. De tantos outros. E nesta situação estranha de aceitação do eventual partir de uma entidade, chega uma imensidão de lembranças, curtas imagens.Meu primeiro contato com Mercedes foi ainda em Nova Iorque, em 1996 ou 97. Estudando, conheci a voz que mexeu comigo tão intensamente. Nenhum privilégio nisso. La Negra já havia feito tão mais. Sua história é de Guerra, é de entrega. É de chorar as vítimas dos medos, das sombras, das entranhas latino-americanas. É de entregar as raízes sincretizadas. É de delatar o feio, o imundo, o horror. É de honrar os seus. É uma história feminina, acima de tudo e no seu máximo.Quando em 2007 surgiu a possibilidade de uma apresentação com ela, não dei muita atenção. Não por arrogância. Mas por pânico. Jamais compreenderei a generosidade daquela alma gigante para comigo. A confirmação de duas apresentações me puseram a chorar no escuro no meu quarto.
Ao vê-la pessoalmente, na sala de sua casa, andando vagarosamente, a grandeza de sua pessoa, de sua história me atropelou. Me levantei em respeito, como haviam me ensinado quando pequena, mas inesperada e ingenuamente corri para seus braços. Ela colocou sua cabeça no meu colo, mulher de pequeno porte que é, e eu só fiz chorar. Em meio a um silêncio ensurdecedor instalado naquela sala. Pude confirmar a força que aquela mulher tem. é só ouvir atentamente tudo o que ela já cantou, e como o fez.Hoje me deparo com a possibilidade do partir. A perda é grande. Não somente para os argentinos. Mas a beleza da Música é que ela nos permite guardar nossos ídolos, para além das lembranças. Ouçam, leiam, procurem por ela. Hoje e sempre. Os anjos das luzes e das sombras podem estar se preparando para um momento único. Mas La Negra nos deu sua eternidade.Maria Rita
domingo, 23 de agosto de 2009
Maria Rita Esperança
FONTE: globo.com*http://criancaesperanca.globo.com/CriancaEsperanca/0,,17260-p-1277202,00.html

