quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Não vou e não vamos te deixar sozinha.

Rafa...........
...................Ela que por muitas vezes se sentiu traída e amargurada, resolveu acabar com a sua vida. Atear fogo no corpo era uma solução. Mas para qualquer ação, Ela precisaria de alguém. Que graça existe sem ninguém para ver? Se contabilizarmos já temos duas pessoas. Alguém e ninguém!!!
Estava decidida. Atear fogo seria a solução de seus problemas. Com ninguém e alguém, Ela se desmanchava toda. Se desmilinguia toda aos som de Pagú. Não estava ligando para o que iriam pensar sobre ela. Ela então........ se ia. Derretia-se. Acabava-se. Morria. Ali. Perto de ninguém e de alguém. A história de Ela que queria morrer perto de alguém e não sozinha. Que mesmo na morte ninguém se importava com Ela.
Senhoras, senhores. Jovens. Homens e mulheres. Ela se foi. Foi porque quis. Por que não suportava estar sozinha numa selva de pedras cheia de pedras e não de pessoas. Pedras! De repente, não mais que de repente, Ela ouve uma voz vinda ao fundo. Acorda! Acorda! Acorda! Era Rafa despertando de um terrível sonho. De um pesadelo tido com Ela.
Não vou e não vamos te deixar sozinha.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Sorria São Pedro!


Qual o problema em ser clichê no fim do ano? O clichê no seu significado mais natural vale mesmo é ai, em dezembro. Mês em que São Pedro chora as mágoas inundando campos e alagando ruas. Podíamos telefonar para São Pedro e pedir chuva quando as plantações estivessem precisando e os rios secando e os bichos com sede. Este texto, por exemplo. Começou bem clichê. Porque falar de chuva em dezembro é muito isso tudo. Atrapalha as festas e a entrada do novo ano fica suja. Neste caso de lama, de lodo, de chuva..... Por isso chega de tanto o céu desabar. E as crenças e mandingas do que valem? Desenhar um sol na rua, no asfalto só tem sabor quando se é criança. Enquanto adulto, vale e olhe lá, oferecer a Santa Clara sabão em barra. Deve-se jogar no telhado de casa. Não no do vizinho. Nele, no vizinho, é bom ir mais tarde para filar a bóia, a ceia, o vinho ou chandon. Muitas pessoas prefrem sangue de boi à chandon. Qual o problema? Eu prefiro a tradicional cerveja. Gelada. Parecendo canela de pedreiro. Aprendi essa esses dias. Pois bem...... Valha-me de chuva. Estou úmido, pálido, com sono e com fome. Sintomas de uma boa chuva. De um tempo nublado. Sintomas de dezembro. Do mês 12 que se somarmos os números 1 + 2 resulta, claro, em 3 que significa, segundo a numerologia de Aparecida Liberato: otimismo, talento, bom gosto, comunicação, cordialidade, sociabilidade, expressividade, amor a vida, bom gosto, interesse em todas as coisas. E que tem como características negativas: futilidade, prepotência, exibicionismo, superficialidade, extravagância, vaidade, fraude, o ser anti-social. Por isso, meus caros, sempre existe o outro lado. E o outro lado da chuva, é o sol. Este que agora, aqui no sudeste, traria boa entrada para muita gente. E o clichê de bons fluídos e de um Feliz 2010 cairia muito bem. Não vamos nos entregar a tempestade. Torcer para que São Pedro esteja feliz e não chore nem de alegria. Ele devolveria a paz nos lares dos desabrigados, dos tristes, dos desesperançosos..... Sorria São Pedro. Sim, você está sendo filmado. Sorria, São Pedro. Sorria, São Pedro.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

TEMPO

Não comungar o tempo
É de todas as atitudes
A mais egoísta
A expressão que diz
mEU tempo
É equivalente àquela que diz
sEU tempo
E ambas não socializam
Como se fosse possível
Fazer do tempo potes
Não entendendo
Que a condição primeira
Do próprio tempo
É fazer parte
E qualquer coisa partida
É no mínimo duas
(Wester de Castro)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Partir


Acho que já posso partir.
Já posso partir.
Já posso.
Eu posso.
Vivi quase trinta anos.
Vivenciei brigas, amores, paixões...
....Dos outros e minhas paixões, amores e brigas.
Já chamei tudo de trem e ainda chamo.
O trem que deveras é, o chamo de metrô.
A minhoca de metal dita por Falcão.
Eu que já pisei num palco como artista.
Que fiz um mundo torto de autista.
Que vi por muitas vezes Maria Rita
E por muito mais ousei cantá-la.
Degustá-la em minha vitrola.
Que assisti Bethânia. Que dormi Bethânia.
Que comi Bethânia. Que fui lá ver...
Bethânia-me! Bethânia-me!
Que fui mais que fã por ai.
E até por aqui.
Que recebi axé.
Um abraço apertado....
Mesmo não sendo de namorado.
Que me retribui carinho de amigo.
Eu já me posso partir.
Por ter a Cozza por perto
Por amar a Cozza.
Por ela ser mais do que é.
Ela é. Sim, ela é.
Reservo este tempo para contar
Pra você ter o que lembrar.
A música me dá alegrias
Mas preciso partir.
Acho que já posso partir.
Já posso partir.
Já posso.
Eu posso.

CLAUDIA


karina, quando criança, tinha jeito de criança. Sem nenhuma prioridade anormal. Gostava de coisas típicas de criança. Sistematicamente. Quando começou a ter corpo, ou melhor, quando seu corpo começou a ter mais forma feminina que infantil nada de estranho lhe era visto. Gostava de vaidades e tudo que lhe atribui. Cabelos, cheiro e espelho. Karina foi durante muito tempo como o tempo queria. Ela, simpática, tinha muitas pessoas que lhe queria bem. Sempre havia a sua volta um mimo. Conhecia muito bem alguns amigos e dividia com eles certos lugares. Bares, cinemas e escola. Mas foi na rua, coisa de tropeço, que Karina conheceu Claudia. E esta história é sobre Claudia. Ate onde se pode contar.
Claudia é digna de mil detalhes, mas vou me ater a um. Tinha dezesseis anos. Com dezesseis anos já se fez muita coisa. Nadou no mar, menstruou-se, brigou por coisas inúteis, etc, etc e etc. Coisas de dezesseis anos. Foi na esquina da Álvares Cabral com Augusto de Lima, dois grandes homens, que as duas, como disse anteriormente, tropeçaram. O sinal fechado para pedestres uma de lá, outra de cá. Um olhar que se cruza. Uma paixão que não se explica. O sinal abriu e ninguém atravessou. Houve medo do desencontro. Se olharam a distância de uma rua durante mais um tempo. O tempo de um sinal. Claudia atravessou e, já do outro lado, apenas sorriu. As duas passaram aquela tarde falando sobre tudo. Olhos concentrados em qualquer resposta. Mal sabiam que passaria dezesseis anos juntas. Amando de dar inveja. Felizes de dar inveja.
Logo decidiram namorar e que isso implicava responsabilidade. Apresentaram-se a quem deviam e seguiram. Beijavam com muita beleza e se falavam por códigos que só os amantes estruturam. Pensaram no futuro e em seus filhos que com certeza teriam. Não dividiam os perfumes. Cozinhavam uma para outra quando estavam acampadas na serra. Gostavam de música, cantavam juntas.
Claudia era simples, gostava de sandálias e amarrava o cabelo com passadeiras verdes e douradas. Tinha enxaqueca e pavor de lagartos. Chamava Karina de Nariza. O porque não sei. Mas achava lindo. Nariza é um apelido lindo. Coisas que só amantes entendem.
Claudia se desesperou quando Karina sofreu um acidente na porta da faculdade. Foi preciso socorro, internação e reserva de sangue. Descobriram que era hora de se casarem. E se casaram. Os melhores amigos levaram coisas. Cartões, panos-de-pratos, panelas e flores. Fizeram compras, compraram anéis e vasos. Pensaram em crianças e foram ao médico. E lá Claudia descobrira que jamais poderia ser mãe. Passaria por uma cirurgia de urgência. Sofreram e sofreram para sempre. Claudia estava feia, karina se enfeara junto. Claudia sobreviveu a todas noticias e procedimentos. Ficou de repouso. Tomou drogas fortíssimas e não se formou. Deprimida com tudo, pediu para Karina a deixar. Tinha ela trinta e dois anos quando viu sair Karina sem lhe dizer nada. Tão pouco levar nada. Isso doeu. Não brigaram. Isso doeu. Não choraram. Isso, também doeu. Claudia estava só. Sozinha cozinhou menos naquele sábado. Comeu menos. Deitou mais cedo e não dormiu. Passou o sábado, o domingo e a segunda sem dormir. Com fortes dores de cabeça, pediu que sua mãe lhe visitasse e na terça-feira lá estava sua mãe fazendo coisas de mãe. Chá, carinho e broncas. Passaram as dores e muito tempo. Claudia tinha agora uma idade que preferia não revelar.
Dentro de suas preferidas frivolidades está o jogo de cartas e as cartas que escreve para ela própria. Às vezes no silêncio de sua casa ri quando ela mesma lhe põe apelidos. Já se chamou de Doris, de Chata e de Pesle. Não me pergunte porque. Pesle porque, talvez, tenha a ver com seu ritmo lento de fazer as coisas, como se tivesse pés de lesma. Claudia detesta fazer compras. Isso lhe faz lembrar tantas coisas. Que há pouco dinheiro, que precisa emagrecer e o iogurte que Karina adorava, mamão com aveia, saiu de linha. Saiu de linha, também, o creme de cabelo que Karina usava. Dizer que Claudia não esquece Karina um instante sequer é mentira. Mas gosta de pensar nela de supetão.
Karina é, hoje, uma senhora sem nenhuma grande anormalidade. Não tem filhos e usa óculos. Vive praticamente para cozinhar e ler. Evita supermercados. Escreve para Claudia, mas não envia. Fez algumas coisas que não podem ser ditas. Mora muito próxima da casa onde morava quando criança. Passa muitas vezes pela avenida Augusto de Lima e sempre espera o sinal abrir duas vezes para atravessar. Sorte e tempo ou tempo e sorte. Mal sabem as duas que ambas morrerão daqui dezesseis anos sem nenhuma possibilidade de reencontro ou tropeço.

domingo, 22 de novembro de 2009

É o Amor outra vez!

Maria Bethânia no Palácio das Artes em 19/11/2009
Fonte: Márcio Costa
video

sábado, 21 de novembro de 2009

Amor, Festa e Devoção

Ela dispensa comentários. Sua voz é única e seu talento incomparável. Maria Bethânia que acaba de lançar dois CDs, "Encanteria" pelo selo Quitanda e "Tua" pela Biscoito Fino, estreia turnê nacional com o show Amor, Festa e Devoção. Com os ingressos esgotados onde quer que se apresente, a cantora abre o espetáculo com "Santa Bárbara", a dona das rosas vermelhas. Uma devoção a fé do povo baiano. E para compor ainda mais as surpresas do show, quando abre-se as cortinas lá está ela, linda a frente de um cenário coberto por rosas. As mesmas que são versos da canção de Roque Ferreira. O público que no primeiro momento reage embasbacado com tanto capricho e cuidado, delira-se com a música "É o amor" quando Bethânia insere o refrão "Do jeito que você me olha vai dar namoro" e volta novamente para "É o amor". Incrível, incrível, incrível. Somente uma cantora como ela consegue fazer isso. Orgulho-me de ter Maria Bethânia como patrimônio histórico e cultural do Brasil. Mulher que faz da voz instrumento que transforma as pessoas. Quando a ouço descubro que nasci na década errada. Que estou hoje aqui para acompanhar as novas, mas tendo ela como referência sempre. Amor, Festa e Devoção nada mais é do que um momento para deixar as lágrimas cairem. Deixar a emoção tomar conta da nossa mente. Refletir o amor, o amor e o amor. Amor de irmão. De pai. Dos homens e sobre tudo o amor de mãe. Espetáculo todo dedicado a Dona Canô. Um viva a Bethânia! Ela é a "Ê Senhora" , ela é "Feita na Bahia", a "Coroa do Mar", ela é "Tua", do Brasil. Outro Viva a Bethânia. Bethânia-me, como disse Dona Omara outrora. Assistam Bethânia. Procurem por ela.

Foto: Márcio Costa


Santa Bárbara - Roque Ferreira


É o amor - Zezé di Camargo


Do jeito que você me olha - Bruno e Marrone


Feita Na Bahia - Roque Ferreira


Coroa do Mar - Roque Ferreira


Tua - Adriana Calcanhoto


Ê senhora - Vanessa da Mata

sábado, 17 de outubro de 2009

Morro do Macaco, RJ, 17/10

Texto escrito pela cantora Fabiana Cozza twitter: @FabianaCozza

A madrugada começou com "fogos de artifício" anunciava meu pensamento preguiçoso ainda de um sono recente. Sábado cinza, às 3h20. Aos poucos, o que poderia ser uma festa - diga-se de passagem de gente muito animada - foi se cristalizando em rajadas amarelas, alaranjadas que cortavam o céu da Zona Norte do RJ, em Vila Isabel, pertinho do Morro do Macaco.A Vila, que já foi de Noel e de Luis Carlos, dava sinais de sobrevida e cheirava a sangue. Senti uma dor no estômago forte, uma agonia mesmo estando "protegida" a alguns metros do bombardeio. Era como se eu estivesse ali, junto a mães, crianças, velhos, homens e mulheres, trabalhadores em meio as rajadas e explosões de tiros, muitos tiros. Uma dor pela minha infinita pequenez humana e impotência diante do que rugia em meus ouvidos. Uma dor pela nossa miséria humana, pelos aplausos às Olimpíadas de 2016, ao choro emocionado do presidente Lula, ao sorriso forçado do governador da cidade maravilhosa Sergio Cabral Filho, à festa na praia de Copacabana, princesinha do mar 50 anos atrás.Uma dor pelo tráfico ser uma economia rentável e mortal para a maioria dos jovens que nascem e vivem nos morros e nas periferias das nossas cidades. Um desespero pela nossa desestrutura, pelas filas de doentes sem convênio médico nos hospitais públicos, a luta pela caixa do remédio que dá uma sobrevida aos velhos, o esgoto onde as crianças brincam como se estivessem num rio, o lixão que é o pão e a mesa de muita gente, tristeza pela máscara que pusemos na cara e o perfume que disfarça nosso fedor.Morremos todos. Não é possível... meu tormento na madrugada era este: "não é possível". É sim Fabiana. E está aí, pra quem quiser ver, pra você ver. E não são baratas que podem ser esmagadas numa batida de chinelo. Já foram todos bebês. Quem somos? O que queremos? Que mundo a gente quer efetivamente e qual o tamanho da força que precisamos para conquistá-lo?!Milhares de outros ataques virão. E não tem nada de pessimismo nisso. É manchete no jornal, sensacional. Esse discursinho babaca de quem vive bem e acha que o problema está muito, muito longe. Mentira!Aqui em SP a gente gosta desta fala, falsa. Está tudo aqui, no nosso Haiti.Somos todos iguais nesta noite.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"Ouçam, leiam, procurem por ela. "

Foto: Marcos Hermes

Texto escrito pela cantora Maria Rita

Fonte: http://www.maria-rita.com/



Desde ontem sou tomada por uma mistura curiosa de emoções. Primeiro veio a triste notícia do grave estado de saúde de Mercedes Sosa. Em seguida veio o acalanto de uma alma que compreende que a morte não é o final. No caso de Mercedes, é só mais um momento. De tantos outros. E nesta situação estranha de aceitação do eventual partir de uma entidade, chega uma imensidão de lembranças, curtas imagens.Meu primeiro contato com Mercedes foi ainda em Nova Iorque, em 1996 ou 97. Estudando, conheci a voz que mexeu comigo tão intensamente. Nenhum privilégio nisso. La Negra já havia feito tão mais. Sua história é de Guerra, é de entrega. É de chorar as vítimas dos medos, das sombras, das entranhas latino-americanas. É de entregar as raízes sincretizadas. É de delatar o feio, o imundo, o horror. É de honrar os seus. É uma história feminina, acima de tudo e no seu máximo.Quando em 2007 surgiu a possibilidade de uma apresentação com ela, não dei muita atenção. Não por arrogância. Mas por pânico. Jamais compreenderei a generosidade daquela alma gigante para comigo. A confirmação de duas apresentações me puseram a chorar no escuro no meu quarto.


Ao vê-la pessoalmente, na sala de sua casa, andando vagarosamente, a grandeza de sua pessoa, de sua história me atropelou. Me levantei em respeito, como haviam me ensinado quando pequena, mas inesperada e ingenuamente corri para seus braços. Ela colocou sua cabeça no meu colo, mulher de pequeno porte que é, e eu só fiz chorar. Em meio a um silêncio ensurdecedor instalado naquela sala. Pude confirmar a força que aquela mulher tem. é só ouvir atentamente tudo o que ela já cantou, e como o fez.Hoje me deparo com a possibilidade do partir. A perda é grande. Não somente para os argentinos. Mas a beleza da Música é que ela nos permite guardar nossos ídolos, para além das lembranças. Ouçam, leiam, procurem por ela. Hoje e sempre. Os anjos das luzes e das sombras podem estar se preparando para um momento único. Mas La Negra nos deu sua eternidade.Maria Rita

domingo, 23 de agosto de 2009

Maria Rita Esperança

FONTE: globo.com

Ela é polêmica e não se fala mais nisso. Não sabemos ao certo se existe uma intenção, mas a cantora Maria Rita não consegue agradar a todos. Vestida de boneca na última edição do programa Criança Esperança da TV Globo, Maria Rita solta o vozerão com a canção "O Homem Falou", de Gonzaguinha. Como toda estreia deixa o artista digamos que um pouco diferente, a cantora disse: "Estou lisonjeada com o convite. Foi uma das maiores emoções. Sai do palco tremendo de tanta adrenalina. É muito intenso. Estou maravilhada. Sempre que eu puder e que me quiserem eu vou estar aqui!"* Dizem até que ela desafinou. Segundo dicionário Aurélio, desafinar consiste em: fazer perder, ou perder, a afinação. E ainda segundo Aurélio vibrato é: que faz vibrar. Que produz ou é acompanhado de vibração. Pois bem.... Maria Rita exagerou no vibrato. E nos ê o, ê o ê a ........ deixou claro que não conhece seu limite de grave já que os agudos foram impecáveis. Para o músico Sérgio Lima, o que aconteceu foi um enstusiasmo. Uma emoção muito grande e que quando se está ao vivo a voz pode tremer em função de uma insegurança, pois a voz é um instrumento controlado por emoção e pela razão e fica difícil, em determinados momentos, saber a hora de usar essa catarse.

Pela televisão deu para perceber um público frio e não muito ligado ao nome e a pessoa. Ou será que foi só impressão? Não importa. O intuito ali era de arrecadar dinheiro em prol das crianças de todo o Brasil e o artista de emprestar sua imagem para conseguir mais dinheiro. Um bom epetáculo precisa de um bom público. Na verdade acho que importa sim. A 24ª edição do Criança Esperança não vendeu ingressos. Foram distribuidos para as redes de ensino estadual e municipal além do projeto "Nós no morro" e da Cufa estimando cerca de sete mil pessoas. E ai eu volto naquela de que o artista precisa de público e melhor que isso, precisa do seu público. Maria Rita não empolgou a platéia e nem todos que estavam em casa. O que faltou foi um horizonte para se olhar. Um gesto peculiar que ela encontra em seus shows. Um carinho que é dela. De pessoas que ela conseguiria levar para lá por causa do seu talento. Pessoas que nunca ajudaram, mas que faria diferente este ano. O melhor de tudo é que Maria Rita fez ao vivo a sua participação e mostrou que realmente estava engajada no projeto, apesar de não pedir que o seu fiel público ligasse para o 0800 e doasse o suado dinheiro. Devo dizer que acredito no Criança Esperança e que causas sociais são sempre bem vindas.

*http://criancaesperanca.globo.com/CriancaEsperanca/0,,17260-p-1277202,00.html